Publicado por: Aline Matte em: Março 2, 2009
“Agentes do caos lançam olhares ardentes a qualquer coisa ou pessoa capaz de suportar ser testemunha de sua condição, sua febre por lux et voluptas. Estou desperto apenas no que amo & até o limite do terror – todo o resto é apenas mobília coberta, anestesia diária, merda para cérebros, tédio sub-réptil de regimes totalitários, censura banal & dor desnecessária.” (Hakim Bey – Caos – Terrorismo Poético e Outros Crimes Exemplares)
Publicado por: Aline Matte em: Fevereiro 1, 2008
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Que o filme Tropa de Elite foi um sucesso no “cinema” ninguém duvida. Falo “no cinema” porque fora dele, dois meses antes, o longa não era novidade para ninguém, ou quase ninguém já que eu, por exemplo, só pude assistir depois do lançamento. A polêmica é grande, afinal, a internet é o meio de comunicação mais eficaz que dispomos hoje para disseminação de conhecimento. E, fator importante, é gratuíto pra qualquer um a qualquer hora! Isso também vale para a cópia pirata do filme que circulou na rede…
Mas, na verdade, referente ao filme gostaria de destacar uma entrevista publicada na revista Bravo! deste mês com o Fernando Meirelles, que dirigiu Cidade de Deus, e José Padilha, diretor do Tropa de Elite. A chamada de capa já avisa por onde a discussão andou: “Fernando Meirelles: ‘Quem compra drogas financia o tráfico’”. Pois é, eles revelaram suas idéias futuras e, incluindo a puxação de saco dos dois lados, concordaram que o Tropa de Elite revolucionou. Quando perguntados sobre o posicionamento deles acerca da descriminalização das drogas, Meirelles, que já foi usuário de maconha, é favorável a proposta e diz “um dia ainda vou fazer uma campanha: ‘Se você quer maconha, não compre! Plante!’”. Padilha não foi tão enfático, mas revelou indignação com a diferença nas punições de usuários e traficantes: “[...] quando um menino no morro vai preso vendendo drogas, isso é crime hediondo. Já o usuário, se for pego, recebe no máximo uma advertência verbal.”
A entrevista da jornalista Ana Paula Anjos é bem bacana! Leia na íntegra na Bravo!
Publicado por: Aline Matte em: Dezembro 10, 2007
“10 reportagens que abalaram a ditadura”. Nome sugestivo! Antes de iniciar a leitura me perguntei que tipo de histórias me esperavam. Política? Repressão? Denúncias? Sim, tudo isso sob a visão dos jornalistas que fizeram de sua profissão a maior arma de defesa à democracia no Brasil.
Os maiores veículos de comunicação do país e os jornalistas mais sagazes. Essa mistura rendeu boas matérias. “Devem ter pensado, antes e acima de tudo, em contar fielmente histórias que sabiam verdadeiras mas que ficavam (ou estavam momentaneamente) nas sombras”, foi assim que Clóvis Rossi descreveu o trabalho dos repórteres na investigação e construção do conteúdo desse livro.
As verdades referidas por Clóvis Rossi são muitas. Elas vão desde o superfaturamento nas contas e nas folhas de pagamento dos altos funcionários do governo federal até os mais terríveis casos de fome, torturas e morte. Todas as reportagens não exigem mais do que um breve exercício de consciência para causar indignação, mesmo hoje, cerca de quatro décadas depois.
O Prefixo “super” somado a palavra “funcionários” é igual a superfuncionários. Superfuncionários: sinônimo de supersalário. E eles têm altos salários, um apartamento por ano e dão festas toda semana… Tanto dinheiro que poderia ser melhor gasto lá na Zona da Mata de Pernambuco, onde as crianças da reportagem de Eurico Andrade morriam (ou morrem?) de fome. Esta reportagem, publicada na revista Realidade (1968), é a mais chocante de todas as narrações.
Reportagens como a do Riocentro e o Escândalo da Delfin relembraram as primeiras aulas de “técnica de reportagem” e os filmes sobre investigação jornalística que fizeram parte do nosso currículo até aqui. O caso da Delfin remete ao “Todos os homens do presidente”, filme no qual o Watergate e o jornal The Washington Post são evidenciados graças a coragem dos jornalistas de investigar e denunciar as ilegalidades do mundo político. Já a explosão no Riocentro, publicada pelo Jornal do Brasil, demonstrou a rotina do jornalista, que na situação foi Sérgio Fleury. Ele estava de folga, passou pelo estacionamento da 19ª Delegacia de Polícia, na Barra da Tijuca, e viu um carro totalmente destruído e logo comunicou a “pretensa notícia” para a redação do jornal.
Entretanto, a minha humilde admiração foi maior para a emocionante e, ao mesmo tempo, revoltante reportagem de Mylton Severiano, para o ex-. Mylton descreveu os momentos anteriores e posteriores da morte do jornalista da TV Cultura, Vladimir Herzog, sem deixar de citar o sofrimento dos amigos, dos colegas de profissão e dos familiares, principalmente da esposa de Vlado, a corajosa Clarice Herzog. Apenas a narrativa de como Clarice lutou por justiça e explicações do Comando do II Exército de São Paulo sobre a morte repentina de seu marido foram suficientes para despertar respeito por ela.
Assim como na morte de Vlado, a repressão e a tortura fizeram parte da ditadura no Brasil e das reportagens contidas no livro. Das que chamam a atenção está a de Lúcia Romeu, para a IstoÉ. A jornalista denunciou, na reportagem para a revista, as atrocidades cometidas pelo Exército contra a irmã Inês Romeu, em Petrópolis, na serra fluminense. Apesar das torturas e estupros na Casa dos Horrores (como foi chamado o lugar), as irmãs Romeu, por questão de segurança, precisaram esperar 10 anos para fazer a denúncia .
Os jornalistas aproximaram relatos passados da realidade, fazendo com que o leitor se envolva nos fatos. Antes de apresentar as reportagens na íntegra, há um texto que nos deixa informados sobre a realidade profissional da época. Neste, os jornalistas contam como foi o processo de pauta, investigação e redação. As narrativas são um tanto mais interessantes que as próprias reportagens porque, além de nos transportar para uma época que não vivemos, possibilita a reflexão sobre o estado emocional conflituoso da população brasileira na ditadura militar Sem falar do exemplo de como fazer um jornalismo de qualidade e responsabilidade.
Fonte:
LUIZ, Antero; MOLICA, Fernando (Org.) 10 reportagens que abalaram a ditadura. Rio de Janeiro: Record, 2005.
Publicado por: Aline Matte em: Outubro 23, 2007
Ela está insegura e confusa outra vez. Que merda. Para dizer a verdade é sempre assim… Todo ano tem essas crises de insegurança. Normalmente é na primavera. Ela desconhece o motivo. Fosse no outono que o vento leva embora as melhores lembranças… Fosse no inverno que o vento congela até os pensamentos… Fosse no verão que nem vento tem… Justamente na primevera que é sua estação preferida(?)! Será por ele desta vez? Não. E se fosse, ela jamais o culparia, pelo contrário, é capaz de defendê-lo, dizer que o problema é com ela e inventar mil desculpas… A culpa não é dele! Ainda que nunca tenha dito que a ama…
Ao som de Scorpions, Wind of changes.
Publicado por: Aline Matte em: Julho 23, 2007
Ahh!!! Domingos… Notórios na vida das inconformadas pessoas ávidas por grandes (ou satisfatórias) emoções… Tediosos, monótonos, aborrecidos, estúpidos domingos… Não, isso está longe de se transformar em poesia, está parecendo mais um desabafo, não que poesia, por vezes, não o seja! E não que essa lamúria não se transforme em poesia… Mas, vamos teorizar sobre o domingo. Esse fenômeno que nós, seres humanos racionais, inventamos e continuamos à construir conforme nossa necessidade de sobrevivência… Detalhe importante: o domingo (segundo o Aurélio – o dicionário) é ‘o primeiro dia da semana, destinado ao descanso e à oração’. É, eu percebi. Talvez isso explique tudo, ou quase tudo, sei lá (aff, como discorrer sobre a totalidade das coisas e das pessoas? Deixa pra lá). Bom, um fastidioso (lê-se no sentido de tedioso) domingo se divide em, pelo menos, três fases. Ou duas, dependendo do sábado. Sim, para que você acorde bem humorado num domingo normal (renomearemos no decorrer do ‘discurso’) deve ter um ótimo sábado! Se esse dia, o sábado (que estou ousando chamar de ‘o melhor dia da semana’), não deixar boas recordações seu domingo já era! Aí teremos a primeira fase desse domingo: você acordará de mau humor, chutando a sombra e xingando até o reflexo no espelho… Depois dessa breve explanação sobre o que acontece na primeira e, às vezes, não existente fase, já que o domingo pode até começar bem, mas duvido que resista a parte número 1 do ‘Domingão do Faustão’. Enquanto o locutor apresenta o programa global que inicia, você percebe que não tem mais jeito: é domingo. Passemos, assim, para a segunda fase do dia. O momento da insatisfação. A maioria das pessoas ficam insatisfeitas ao pensar que no outro dia já é segunda-feira (’segunda-feira é o pior dia da semana’, dizem), outras não se conformam apenas (apenas?) porque é domingo e veêm-se sentadas em frente à TV assistindo uma droga de programa. Se existem saídas para esse drama? Sim, ler um livro, por exemplo. Isso fará a segunda fase passar mais depressa. Para aqueles inconformados ávidos por grandes emoções, a terceira fase faz-se perceber quando o domingo está acabando, ou melhor, está acabado. O cálculo do tempo gasto fazendo nada e esperando pelas ‘grandes emoções’(que não chegaram a tempo) atormenta os mais sonolentos pensamentos que até a esperança (que ‘é a última que morre’, de acordo com os terríveis ditados populares) adormece. E mais um domingo que se vai sem deixar nenhuma saudade!